Aborto de repetição

Por: Fabiana Guerra Fioravanti Sartori

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                O Aborto de Repetição (AR) vem a ser três ou mais episódios sucessivos de perdas gestacionais antes de 20 semanas de gestação ou feto pesando menos de 500 gramas ou também, quando se observam dois abortos em pacientes com mais de 35 anos. Este tema ainda vem sendo um drama na vida de uma parcela de casais que acabam desistindo de uma nova tentativa, sem ao menos procurar orientação médica, pois imaginam não ter mais saída para seu problema. Na verdade são vários os fatores que podem estar envolvidos nos abortos de repetição e a saída é encontrarmos a verdadeira causa para então, chegarmos a solução que possa produzir melhor resultado gestacional, sempre que possível.

gestante

Causas:

  Dentre os fatores, os que merecem destaque são os genéticos, os endócrinos, os anatômicos, os infecciosos, os hematológicos e os imunológicos.

                As causas genéticas estão envolvidas em uma boa parcela dos abortos de repetição, sendo as alterações cromossômicas as mais comuns. Estas podem ser ao acaso ou induzidas por uma alteração de cromossomos dos pais.

Aproximadamente 5% dos casos de AR são devidos a causas endócrinas, onde se sobressai a insuficiência de corpo lúteo, caracterizada por uma produção diminuída de progesterona, hormônio este que tem um papel primordial na implantação (fixação) do saco gestacional no útero. O Diabetes mellitus mal controlado também está envolvido na etiologia do AR.

                As causas anatômicas envolvem as alterações da cavidade uterina, as quais podem impedir o crescimento da gestação. Dentre elas temos as malformações uterinas, os pólipos uterinos, as sinéquias (aderências uterinas internas), a miomatose uterina e a incompetência istmo cervical (dilatação espontânea do colo uterino precoce e sem dor).

                As alterações hematológicas (dos fatores de coagulação) também podem ser causa de AR. Algumas delas levam a uma trombose da placenta, com conseqüente perda fetal.

                As causas auto-imunes vêm sendo muito pesquisadas nos últimos tempos, tendo como ponto chave a presença de anticorpos produzidos pelo próprio organismo da mãe que agem contra o tecido trofoblástico (embrião), levando a perda.

                As causas imunológicas estão relacionadas a situações em que o sistema imunológico materno não reconhece o material da concepção (embrião) e acaba rejeitando-o. Este tipo de aborto se chama alo-imune. A pesquisa genética mostra se há compatibilidade genética entre marido e mulher. Quanto maior for a compatibilidade genética, maior o risco de aborto.

                 As causas hormonais e infecciosas foram usadas durante muito tempo como explicação para os abortos de repetição. Toxoplasmose, brucelose e outras infecções podem ser consideradas causa de abortos, mas não de repetição, já que após a cura da doença não ficam seqüelas que façam ocorrer perdas de repetição. Na questão hormonal entram as falhas nas produções de determinados hormônios importantes no processo gestacional.

                Como vemos, é bem extenso a abordagem dos abortos de repetição, sendo necessário, portanto, uma avaliação criteriosa das pacientes a fim de se chegar a um possível diagnóstico, a uma possível causa. Digo possível, porque ainda existem casos de AR em que não é possível estabelecer a causa. No entanto, hoje contamos com uma gama de tratamentos eficazes para quase todas as causas de AR, salvo para as alterações genéticas dos progenitores em que temos que lançar mão das fertilizações com doação de óvulos, por exemplo.

Por: Fabiana Guerra Fioravanti Sartori

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