Você sabe se tem endometriose?

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Confesso que quando conversamos referente a esse assunto, eu e a Doutora Fabiane, responsável pelas informações que você vai ler abaixo, tive um certo interesse pessoal no assunto. A endometriose já faz parte da minha vida há muitos anos e mesmo com as inúmeras afirmações que se encontram por aí, nada como uma conversa médica para desmistificar as tantas lendas que são criadas em torno da doença.

Com a palavra Doutora Fabiana Sartori:

Endometriose, o que é?

A endometriose é a presença de endométrio – tecido que reveste o interior do útero – fora da cavidade uterina (nas trompas, nos ovários, no intestino, na bexiga,…). Embora boa parte das mulheres nunca tenha ouvido falar da endometriose, ela afeta cerca de uma em cada dez mulheres na vida reprodutiva. Existem duas teorias para a origem da endometriose: 1) pedaços de endométrio, ao se desprenderem durante a menstruação, vão para o exterior do útero pelas tubas uterinas (menstruação retrógrada), e estes se fixarão em regiões externas ao útero (ovários, parede pélvica e peritônio e órgãos como bexiga, intestino, além de  pulmão, pleura, vagina e sistema nervoso central, embora estes últimos mais raramente);  2) áreas de células no exterior do útero transformam-se em áreas de endometriose sob as influências das alterações hormonais.

Sintomas:

O principal sintoma da endometriose é a dor, que inicia com freqüência, antes do início da menstruação, tornando-se progressivamente maior até o início do sangramento, diminuindo gradativamente, após. Se a endometriose for localizada no intestino ou na bexiga, pode causar sintomas urinários e/ou intestinais durante a menstruação (dor ao urinar ou diarréia). Além da dor, a endometriose pode tornar difícil a gestação, condição conhecida como infertilidade.

            A suspeita clínica é a principal arma diagnóstica, que seguida de um exame clínico bem realizado permitem a organização de um raciocínio diagnóstico mais completo. Exames laboratoriais e/ou por imagem podem, em alguns casos, auxiliar no diagnóstico. A certeza, porém, só pode ser dada através de laparotomia ou videolaparoscopia, que são procedimentos cirúrgicos, nos quais os focos de endometriose são visualizados e tratados nesta ocasião. No entanto, hoje, com evidências clínicas suficientes, os médicos podem instalar tratamentos, mesmo sem submeter a paciente à procedimentos cirúrgicos.

Tratamento:           

            As principais metas do tratamento são: aliviar ou reduzir a dor, diminuir o tamanho dos implantes (focos), reverter ou limitar a progressão da doença, preservar ou restaurar a fertilidade e evitar ou adiar a recorrência da doença.

           O tratamento poderá ser clínico ou cirúrgico. No clínico pode ser usado o tratamento hormonal ou o uso de antiinflamatórios não-esteroidais. No cirúrgico pode ser utilizado a cirurgia conservadora (apenas a lise das aderências, cauterização dos focos e exérese de endometriomas) ou a cirurgia radical (histerectomia) nos casos de prole completa e resistência ao tratamento clínico.

            Quanto a prevenção, o que se pode fazer é uma prevenção secundária, onde as mulheres devem procurar informações sobre a doença e ficar atentas aos sintomas e, frente a algum(s) deles, principalmente a dor, procurar o seu(a) ginecologista, pois quanto mais cedo for diagnosticada a endometriose, mais rápido o tratamento adequado poderá ser iniciado e com melhores resultados.

Doutora Fabiana Sartori 

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