Every time you close your eyes: Lies lies.

Cada vez que você fecha os seus olhos: Mentiras, mentiras.

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Rebellion é o nome da música da indecifrável banda Arcade Fire, o refrão é só uma sentença que fica sendo repetida uma e outra vez: Every time you close your eyes: Lies lies!!

 Perguntei-me por dias o que me prendia nesta canção  – que ia e voltava na minha mente. Uma identificação, só pode. Eu estava ali dentro, naquelas palavras, como se fosse eu, como se fizesse parte de mim.

Será mesmo que sempre nos mentem? Sem filosofia, sem pretensão de ser profunda. Vou apostar na superficialidade porque nela também estão as respostas, esfregando-se num corpo a corpo com as nossas perguntas.

Apontar a realidade como um perigo é a verdade universal da educação das criança: Scare your son, scare your daughter (Assuste seu filho, assuste sua filha). Somos todos frutos de medos enraizados e culpas polidamente trabalhadas.

Como Tom Zé pergunta na profunda canção Senhor Cidadão, “com quantos quilos de medo se faz uma tradição?”

Um bom menino, assustado, não passa dos limites do portão que os pais e o resto do mundo lhe deram. Até que na realidade não pode mais se sentir livre. E vai tentar escapar dessa gaiola dourada, nem que seja de vez em quando – e isso definitivamente, Freud explica.

Rebellion vai além: “as pessoas dizem que seus sonhos são as únicas coisas que te salvam – Vamos, baby, nos nossos sonhos podemos viver nosso mau comportamento” (People say that your dreams are the only things that save you / Come on baby in our dreams we can live our misbehavior)

Previsivelmente e invisivelmente, se a realidade é medo e culpa, só os sonhos podem nos tirar desse mundo de mentiras. “Sonhe, um homem sem sonhos não é nada”, esse é o clichê da moda. E um homem sem realidade é alguma coisa? Vamos Baby, estamos salvos nos nossos sonhos. Lá podemos ser mal comportados sem estarmos sendo arrastados e tragados pela culpa. Não podemos esquecer que um sonho pode ser o espaço que está entre a realidade e a alucinação…mas um escape da realidade nem sempre é inofensivo como um sonho. Pode ser uma droga, uma bebida, um ácido, um sintoma, uma esquizofrenia…

Se o resultado da busca por um espaço livre e sem medo for encontrado fora dos limites dados e todos perguntarem “o que aconteceu com esse menino que era tão bom?”,  não esqueçamos de responder que ele fez sua própria Rebellion. Porque seja em um sonho ou em uma alucinação precisamos desse espaço: liberdade sem culpa.

 

 

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