Louboutin

0

Ele havia sido seu amor de adolescência. Há mais de quinze anos ela não o via. Mas quis o destino que se cruzassem naquele café.
Ele exatamente como ela lembrava, jeans surrado, camisa de botões da marca do momento, tênis esportivo como sempre usou e o cabelo ainda brilhando do banho matutino.
Ela, muito melhor. Os quilos a mais haviam se despedido. No lugar uma cintura fina, pernas bem torneadas com muito suor de academia, seios empinados e o rosto luminoso, como somente uma pessoa feliz consigo mesma consegue brilhar. Vestia um tubinho preto, daqueles despretensiosos que escolhemos quando queremos impressionar algum empresário importante numa reunião de trabalho. Comprido até o joelho, para parecer comportada, mas com uma fenda intrigante, para despertar a curiosidade caso fosse necessário. Sapatos pretos de salto fino Louboutin e o seu batom vermelho para dias nebulosos.
Os olhos se cruzaram. Nossa, quantas lágrimas ela derramou enquanto ele a colocava na sua lista de apenas mais uma conquista. Mal sabe ele que ela ainda lembra, sentia todos os dias a dúvida daquele amor que, para ela, estava mal resolvido. O reencontro casual tornou-se leve. Nenhum dos dois tocou no assunto do passado. Mas ela lembrava. E queria tirar a limpo. Não como as mulheres normais, discutindo a relação. Mas mostrando o que ele perdeu… quanto tempo perderam.
O café da manhã, leve, risadas, conversas, lembranças do tempo de escola, mas ela, cada gesto ensaiado. Cada movimento, cada olhar. Combinaram de esticar o café da manhã num hotel próximo dali, não qualquer hotel! Ela não era mulher de motel de beira de estrada. Mesmo quando a intenção é passar a limpo um mínimo de sofisticação é importante.

A porta frente a eles se abriu, uma suíte, imensa, lindamente decorada, elegante e aconchegante ao mesmo tempo. Mas a decoração não importava. Ela entrou, primeiro as damas! Em seguida ele. Enquanto ele ensaiou algo para dizer na tentativa de quebrar o gelo ela o calou. Seus lábios nos dele. Forte. Intenso. A mão dela passeando em seu pescoço e a outra imediatamente fez com que os botões da camisa caríssima que ele vestia caíssem pelo chão. Ela o colocou, literalmente contra a parede. O beijou… todo o seu corpo… ele continuava atlético, exatamente como nos tempos de escola. Mas uma coisa havia mudado. Ele estava perplexo. Não tinha reação diante das atitudes de quem, ora havia sido a menina inocente e apaixonada de aparelhos nos dentes. Ela continuava o movimento dos lábios em seu corpo…enquanto beijava sua pele logo acima do botão da calça jeans, olhava fixamente em seus olhos… como era excitante ver aquele homem entregue ao seu toque. Aquilo a enlouquecia.
Botão da calça aberto, ela baixou, de forma que as pernas dele ficaram imobilizadas. Cada vez mais ela dominava a situação. Logo ela estava com os lábios naquela entrada em seu abdômen que por tantos anos a fez perder o sono, e foi se aproximando do seu pênis, ate que o beijou. E beijou. Fortemente. Sentia o sabor dele e mais uma vez teve certeza de que nada mudou.


A química entre eles foi crescendo. Ela desesperada por senti-lo entrar, e ele por sua vez não acreditava na mulher que tinha nas mãos. Se desvencilhou da calça jeans, e de todo o resto que ainda o incomodava e a virou, de costas, mãos apoiadas sobre a guarda de um sofá que ali estava compondo lindamente com o papel de parede e os espelhos. Ora, dane-se a decoração. Ela estava ali, linda, os cabelos em cascata de caracóis sobre suas costas. Ele ergueu o vestido, ela continuava a equilibrar-se sobre seus saltos, surpresa a dele ao constatar que abaixo do vestido não havia nada além da sua perfumada e macia pele. Como era bom toca-la. Seu aroma suave e sexy que preenchia todos os espaços da suíte. Ele segurou forte seus cabelos e afastando as coxas dela, a penetrou. Entrou sentindo-a quente, úmida, desejando por ele. Ela gemeu. Alto. Um gemido contido durante quinze anos. E repetidamente ele a fodeu. Ela delirava de prazer. Um misto de prazer sexual e satisfação, seu corpo estremecia. A mão dele que agora apertava sua cintura a mantinha em pé quando seu corpo já não suportava mais de tanto prazer.
Ele em movimentos brutos e intensos, por vezes suaves e próximos. Repetidamente a penetrava, até que, exaustos, os dois não mais suportaram e juntos sentiram o gozo tomar conta dos corpos. O calafrio seguido de um calor indescritível, os músculos rijos, o coração acelerado. Foram quinze anos controlando aquele desejo que agora estava ali, num quarto de hotel!
Ele desabou, deitou-se na cama king size lindamente organizada com lençóis brancos ficou aguardando por ela, que se aconchegasse em seu peito, fizesse o carinho nos cabelos que costumava fazer. Que ela pedisse seu telefone, o convidasse para um drink, uma balada, o convidasse para sua vida. Mas ela não, aquele momento não era de recomeço. Era de despedida, encerramento de um ciclo. Ela gozou, virou-se, puxou o vestido para baixo, arrumou seus sapatos pretos e fez o que os homens fazem, saiu encostando a porta atrás de si. Entrou no carro e voltou para a sua vida. Aquela que há quinze anos construiu sem ele. Que permaneceu inerte na cama esperando para um dia quem sabe o telefone tocar. E no fundo ele sabe, não irá tocar.

você pode gostar também Mais do autor clique aqui

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.