Por excesso de amor, resolvi partir!

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Juliana se tornou um nome inesquecível para quem acompanhava as colunas do Carpinejar, no Zero Hora. De uma paixão louca e reluzente, do nada, Juliana partiu e, com sua partida, partiu o coração do homem que a amava. “Foi excesso de amor”.

amor

Somos todas Julianas, tenho quase certeza. Eu sou Juliana, disso tenho certeza. O excesso de amor me sufoca, me atrapalha, me dá branco e eu costumo partir. Partir pra outra ou partir para lugar nenhum.

O amor em excesso dá uma certa gastura, porque não só dá, mas demanda. Demanda que o outro receba, mesmo quando precisa estar só, demanda compartir, mesmo quando o outro precisa de espaço, demanda receber atenção, mesmo quando o outro está com a cabeça em outro lugar, com outras preocupações, com outros pensamentos que não incluem o amado.

O mesmo não acontece com a saudade, a saudade guarda o melhor, colore, modifica, idealiza e torna inesquecível. Quem deseja manter o melhor do amor, costuma sumir quando esta gastura que corrói o amor começa a apontar. Como melhor escreveria Martha Medeiros: “pareço desinteressado, mas sumi para estar para sempre do seu lado, a saudade fará mais por nós dois que nosso amor e sua desajeitada e irrefletida permanência.”

Tem gente que some por medo, na primeira fase do amor, na paixão, no auge, no topo de todos os sentimentos, some, simplesmente: “Sumi porque só faço besteira em sua presença, fico mudo quando deveria verbalizar, digo um absurdo atrás do outro quando melhor seria silenciar, faço brincadeiras de mau gosto e sofro antes, durante e depois de te encontrar. Sumi porque não há futuro e isso não é o mais difícil de lidar, pior é não ter presente e o passado ser mais fluido que o ar”.

Chego a conclusão que, das duas uma: ou se some porque a pessoa faz muita diferença ou porque não faz diferença nenhuma. Mas eu colocaria um trâmite, um lapso temporal, um espaço, entre a primeira e a segunda….o período entremeio de fazer muita diferença a passar para a total indiferença.

Os mais românticos, como eu, travam nessa fase de trâmite. Não querem deixar o amor morrer definhando, não desejam se apegar a um amor gasto nem se tornarem pássaros atrás de migalhas.

Para congelar as memórias de uma paixão, somem.

Quiçá por isso que o passado está romantizado nas minhas memórias. Pelas despedidas sofridas, pelos choros, pelas noites de saudade. Pelas mensagens não lidas, pelos apelos não atendidos.

Que sadismo! – poderia alguém me dizer. Eu diria que seria mais masoquismo. Mas é uma maneira de imortalizar o mortal. Das relações, eu quero ficar com o melhor. Antes de morrer o amor, melhor conservar a saudade.

“Adeus, Juliana”, dizia ele com lágrimas nos olhos. Ela não respondia, fria, indiferente, arrumada, perfumada e com o andar impecável. Era assim que ele a via, vendo-a partir sem olhar para trás. Mas, quem passava por ela se entristecia ao ver as lágrimas que rolavam no seu rosto bonito. Eram lágrimas de despedida, de despedida de amor, inconfundíveis lágrimas. Só ele não via, que a saudade, naquele momento, o imortalizava.

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